Carlos percebeu que um colega de trabalho estava diferente há semanas. Antes falante, agora mal respondia "bom dia". Tinha emagrecido, faltava ao trabalho, e quando estava no escritório ficava com o olhar perdido.
Um dia o colega disse no café: — Não aguento mais. Acho que todo mundo estaria melhor sem mim.
Carlos sentiu o estômago embrulhar. Ele sabia que não podia ignorar aquilo. Puxou o colega para uma sala vazia e perguntou diretamente: — Você está pensando em se machucar?
O colega hesitou e começou a chorar. Disse que sim, que tinha pensado em se jogar da ponte.
Carlos não saiu do lado dele. Ligou para o CVV (Centro de Valorização da Vida) e pediu orientação. Depois foi com ele para o PS psiquiátrico do hospital geral. Ficou esperando até ele ser atendido.
No hospital, o colega foi avaliado por psiquiatra, medicado e ficou em observação. Conseguiu vaga em atendimento psicológico regular.
Carlos aprendeu que perguntar sobre suicídio não "dá ideia" — pelo contrário, dá ao outro a chance de pedir socorro.