Seu Antônio estava podando as roseiras do jardim quando sentiu um aperto no meio do peito. Não era uma dor forte, era um peso, como se alguém estivesse sentado sobre o esterno. A sensação irradiou para o braço esquerdo.
Ele parou, sentou num banco e tentou descansar. Mas o peso não passou. Começou a suar frio. Sentiu náusea. Pensou em chamar alguém, mas ficou com vergonha de incomodar a família.
Luísa saiu para ver o sogro e encontrou ele pálido, encostado na parede. — Seu Antônio, o que foi?
— Tô com um peso no peito, mas já vai passar.
Luísa não esperou. Ligou para o SAMU na hora. Não deixou ele andar, não deu nada para ele mastigar. Sentou com ele e esperou a ambulância.
No hospital, o eletrocardiograma mostrou alterações sugestivas de infarto agudo do miocárdio. Seu Antônio foi direto para a hemodinâmica, onde colocaram um stent. O médico disse que cada minuto contava — se tivesse demorado mais, o dano seria irreversível.
Ele saiu do hospital com uma lista de mudanças de hábito e uma certeza: nunca mais vai ignorar aperto no peito.