Luísa estava no ponto de ônibus quando viu policiais abordarem um jovem negro de forma agressiva. Ele estava encostado na parede, mãos na cabeça, e um policial deu um tapa na nuca dele. Ficou chocada, mas não fez nada. Olhou para o lado e fingiu que não viu. Depois ficou se remoendo de culpa por semanas. Ela aprendeu que testemunhar uma abordagem violenta não significa que a pessoa precisa enfrentar a polícia, mas existem formas seguras de agir. O correto é: filmar com o celular de uma distância segura, anotar o nome na farda dos policiais e o número da viatura, e depois registrar a denúncia na ouvidoria da polícia ou no Ministério Público. Nunca interfira diretamente — a pessoa pode ser detida também. Quando viu outra abordagem violenta na rua, manteve distância e filmou com o celular no bolso, só com o áudio e a lente para fora. Comunicou a um amigo por mensagem o que estava vendo. Depois que os policiais foram embora, se aproximou do rapaz e perguntou se ele precisava de ajuda. Deu seu número de testemunha. Registrou a denúncia na ouvidoria com as provas. A corregedoria investigou e os policiais foram punidos. Testemunhar não é omissão — é cidadania ativa e segura. Filmar e denunciar é o mínimo que se pode fazer contra o abuso de autoridade.