Carlos estava passando por uma noite muito difícil, com pensamentos suicidas. Pegou o telefone e ligou para o CVV (188) sem saber o que esperar. Quando uma voz atendeu, começou a chorar e desligou sem falar nada. Ficou com vergonha. Ligou de novo, desligou de novo. Na terceira tentativa, a atendente disse "Fique à vontade, estou aqui para ouvir você." Conseguiu falar por 40 minutos. Ela não julgou ele, não deu conselhos prontos, só ouviu. Ele aprendeu que o CVV não é uma linha de emergência médica, mas um serviço de apoio emocional. Os voluntários são treinados em escuta ativa. Não precisa ter crise para ligar — pode ligar se estiver triste, ansioso ou só precisando desabafar. A ligação é sigilosa e gratuita de qualquer telefone. Hoje ele liga para o 188 sempre que sente que a ansiedade está tomando conta. A voz do outro lado nunca julgou ele. As pessoas pensam que CVV é só para quem está em crise grave, mas é um suporte para qualquer momento difícil. Ter esse número na agenda é ter uma rede de apoio no bolso.