Clarinha sentia uma dor no lado direito da barriga há dois dias. Não passava com chá nem com repouso. Ela nunca tinha ido a um pronto-socorro adulto — só lembrava de quando era pequena e a mãe a levava ao pediatra. Agora, morando com Beto, não sabia se aquilo era grave ou se era só um mau jeito.
Ela ficou a manhã inteira pesquisando sintomas no celular, o que só aumentou a ansiedade. Beto percebeu que ela estava preocupada e perguntou o que estava acontecendo.
— Tô com uma dor aqui faz dois dias. Será que é apendicite? — Clarinha apontou para a barriga.
— Vamos ao PS. Melhor ir e descobrir que não é nada do que ficar em casa com medo — respondeu Beto, pegando a carteira e as chaves.
No hospital, Clarinha passou pela triagem, respondeu perguntas sobre a dor e esperou uns quarenta minutos. A médica pediu exame de sangue e ultrassom. No fim, era apenas um ovário que estava soltando o óvulo — um desconforto normal da ovulação.
Ela saiu de lá aliviada e surpresa: o PS não era o bicho de sete cabeças que imaginava. Ganhou até orientações sobre quando voltar se a dor piorasse. Aprendera que ir ao PS cedo evitava sofrimento maior.