O melhor amigo dele descobriu um câncer no pulmão. Ficou sem saber o que fazer. Visitar? Não visitar? Falar sobre a doença? Fingir que nada está acontecendo? No começo, se afastou — não por falta de consideração, mas por não saber como agir. Um erro que lamenta até hoje. O amigo ligou para ele e disse: "Cara, você sumiu. Não precisa falar do câncer. Só precisa estar aqui." Voltou. Levou pizza, assistiram futebol, riram. Em nenhum momento falaram da doença. O amigo precisava daquilo: normalidade. Aprendeu: amigo doente não quer que você trate ele com luvas de pelica. Quer que você continue sendo amigo. Se não sabe o que dizer, diga "não sei o que dizer, mas estou aqui." Isso vale mais que qualquer discurso. Presença silenciosa é melhor que ausência cheia de boas intenções.