Clarinha queria uma prateleira flutuante na sala para colocar livros de decoração. Beto pegou a furadeira, a prateleira e os parafusos. — Moleza, só furar e parafusar.
Ele marcou a posição com lápis, encostou a furadeira e apertou o gatilho. A parede era de concreto. A broca entrou 2 centímetros e parou. Beto forçou, a furadeira fez barulho de sofrimento, a broca esquentou.
— Não tá entrando — resmungou.
— Talvez seja a broca — sugeriu Clarinha.
Beto trocou por uma broca de vídea, mas a parede era mais forte. Ele suou, lutou, a furadeira quase pegou fogo. Quando finalmente conseguiu fazer um furo, ele estava torto e largo demais. A bucha não segurava.
— Você precisa de broca de concreto de boa qualidade — disse Seu Antônio, que passava na rua e ouviu o barulho. — E furar na rotação certa, sem forçar. Deixa a broca trabalhar.
Seu Antônio mostrou o truque: furar com velocidade moderada, aplicando pressão leve, e de vez em quando puxar a broca para fora para limpar o pó. E usar bucha S8 para prateleiras com peso médio.
Beto recomeçou. Dessa vez, os furos ficaram retos e perfeitos. A prateleira ficou firme, nivelada. Clarinha colocou os livros e um vasinho.
— Ficou lindo — ela disse.
— E não vai cair — garantiu Beto, balançando a prateleira para mostrar. Ela não mexeu.