Carlos foi visitar Beto e Clarinha e notou uma trinca fina acima da porta do quarto. — Isso é novo? — perguntou, apontando.
— Ah, faz tempo — respondeu Beto. — Já tapei com massa corrida três vezes. Sempre volta.
Carlos se aproximou e examinou. — O tamanho importa. Trinca fina, de fio de cabelo, é superficial. Mas essa aqui… — ele passou o dedo — está encostando no reboco. Tem que ver se é estrutural ou só de retração.
Ele explicou: trincas horizontais ou verticais finas geralmente são de retração da massa. Trincas inclinadas, em "escada" ou que acompanham a laje podem indicar problema de estrutura. Trincas que abrem e fecham com a estação do ano indicam movimentação térmica.
— Vamos testar — disse Carlos. Ele colou um pedaço de fita de gesso sobre a trinca. — Se a fita rasgar em um mês, a trinca está ativa. Se não, é só retração e pode tapar de vez.
Beto seguiu o conselho. Um mês depois, a fita estava intacta. Ele raspou a trinca, aplicou tela de poliéster, massa corrida, lixou e pintou. Dessa vez, a trinca não voltou.
— Agora aprendeu — disse Carlos. — Antes de tapar, tem que diagnosticar. Senão é enfeitar o problema.
Beto concordou. Às vezes, o que parece um problema simples esconde algo mais sério. E uma trinca na parede pode ser só um aviso.