A marreta bateu na parede às 7h da manhã. Beto nem tinha acordado direito. Quinze minutos depois, o interfone tocou. Era o vizinho do lado.
— Beto, pelo amor de Deus, são 7h da manhã! Minha filha está estudando para a prova.
— Desculpa, o pedreiro começou cedo…
— Horário de obra é das 8h às 18h. Respeita, cara.
Beto ficou sem graça. Ele não sabia que existia lei do silêncio para obra. Aprendia na prática: obras em áreas residenciais têm horário permitido — geralmente das 8h às 18h em dias úteis, e das 9h às 17h aos sábados. Domingos e feriados, nada.
— Você tem que avisar os vizinhos antes — disse Carlos. — Uma semana antes da obra começar, passa em cada apartamento, avisa o período, pede desculpas adiantadas.
— Sério?
— É educação. E ajuda a evitar briga. Se o vizinho sabe que a obra vai durar 3 semanas, ele se programa. Se descobre na marretada, fica puto.
Beto fez um bilhete e colocou no elevador: "Prezados vizinhos, estaremos reformando o apartamento 301 entre os dias 10 e 31 de março, das 8h às 17h. Pedimos desculpas pelo barulho e agradecemos a compreensão."
O vizino do lado apareceu com uma garrafa de vinho no último dia. — Obrigado pelo aviso. Consegui programar meus horários. E a reforma ficou linda.
Beto entendeu que reforma não é só sobre a casa — é sobre a convivência. Respeitar o vizinho é tão importante quanto respeitar o pedreiro.