Depois de três meses de reforma, o dia chegou. Beto e Clarinha passaram o final de semana inteiro limpando, organizando, colocando os móveis nos lugares, os quadros nas paredes, os tapetes no chão.
— Está pronto? — perguntou Beto, vendando os olhos de Clarinha.
— Pronto — respondeu ela.
Beto tirou a venda. Clarinha abriu os olhos e viu a sala nova.
O piso de vinílico imitava carvalho. As paredes claras ampliavam o espaço. O sofá novo, cinza, combinava com as almofadas geométricas. A estante flutuante exibia os livros de decoração. A luz do fim de tarde entrava pela janela, criando um clima acolhedor.
Clarinha ficou em silêncio. Beto esperou ansioso.
— Está… perfeito — ela disse, com a voz embargada.
Ela andou pela sala, tocou nas paredes, sentou no sofá novo. Cada detalhe tinha sido pensado. O suor, a poeira, as discussões, o dinheiro — tudo valeu a pena naquele momento.
— Lembra quando a parede caiu? — riu Beto.
— E quando o pedreiro sumiu? — completou Clarinha.
— E o cano que furou?
Eles riram das lembranças que na época foram traumáticas. A reforma tinha sido um teste de resistência. Mas o resultado transformou a casa.
— Agora a gente precisa de uma festa de inauguração — disse Beto.
— Vou chamar todo mundo — respondeu Clarinha. — Carlos, Pedro, Seu Antônio, Luísa, Dona Marta.
E no sábado, a casa ficou cheia de amigos. Beto mostrou cada cantinho, cada detalhe da obra. No fundo, sabia que a maior reforma não foi na casa — foi na paciência do casal.