A cômoda chegou em uma caixa retangular. Beto abriu animado. — Vou montar em 30 minutos.
Uma hora depois, Beto estava no chão da sala, cercado de peças de MDF, parafusos de todos os tamanhos, buchas coloridas, e um manual de 20 páginas. Clarinha olhava da porta.
— Precisa de ajuda? — perguntou, cautelosa.
— Não, está tudo sob controle.
Não estava. Beto montou a gaveta de cabeça para baixo. Colocou o puxador no lado errado. Parafusou a peça A na posição da peça C. A cômoda parecia um Picasso.
— Deixa eu ver o manual — disse Clarinha.
— O manual não explica nada!
— Deixa eu ver.
Clarinha leu o manual, entendeu o esquema, e começou a organizar as peças por ordem de montagem. Beto relutou, mas aceitou a ajuda. Dividiram tarefas: ela lia e organizava, ele parafusava.
— O segredo — disse Beto — é um ler o manual e o outro executar. Não adianta os dois quererem dar palpite ao mesmo tempo.
— E não adianta nenhum dos dois ler o manual — completou Clarinha. — Sempre leiam juntos antes de começar.
Eles montaram a cômoda em 45 minutos, sem discussão. A cômoda ficou reta, firme, com todas as gavetas deslizando suavemente.
— Montar móvel juntos é exercício de relacionamento — disse Beto. — Testa paciência, comunicação e trabalho em equipe.
— A gente passou no teste — respondeu Clarinha.
E guardaram a chave Allen no mesmo lugar. Para a próxima.