Beto acordou cedo, arrumou a casa para a obra, comprou café e pão de queijo para o pedreiro. 7h, 8h, 9h. Nada. Ligou — caixa postal. Mandou mensagem — visualizou e não respondeu.
— O pedreiro sumiu — disse Beto para Clarinha.
— Como assim sumiu? Ele não ia começar o reboco hoje?
— Ia. Mas não veio.
Beto passou a manhã ligando para outros profissionais. A maioria estava ocupada. Os que estavam livres, cobravam o dobro. Beto aprendeu na prática que pedreiro que falta sem aviso é mais comum do que deveria.
— A culpa não é toda dele — disse Seu Antônio. — Muitos pedreiros pegam mais obras do que conseguem tocar. Aí atrasam uma para adiantar outra.
— Como evitar isso?
— Primeiro: contrata com contrato escrito, com cronograma e multa por atraso. Segundo: não paga adiantamento grande. Terceiro: pede referências e liga para clientes anteriores.
Beto seguiu os conselhos. Achou outro pedreiro, fez contrato com cronograma, pagou 20% de entrada. Esse apareceu todos os dias, mas atrasou a entrega em uma semana.
— Atraso em obra não é exceção — disse Seu Antônio. — É regra. Sempre some duas semanas ao prazo que o profissional der.
Beto aprendeu a se programar. E quando o primeiro pedreiro finalmente apareceu uma semana depois, Beto disse que já tinha contratado outro. O pedreiro ficou bravo, mas Beto ficou aliviado — tinha aprendido a se proteger.