Como sobreviver morando na obra?

Clarinha

A reforma começou e a casa virou um cenário de guerra. Poeira fina cobria cada superfície. A comida tinha gosto de pó. As roupas no armário, protegidas por plástico, ainda assim cheiravam a cimento.

— Não aguento mais — disse Clarinha no terceiro dia. — Onde a gente come? Onde a gente dorme? Isso não é vida.

Beto improvisou uma cozinha na área de serviço: um fogão de duas bocas, uma pia de plástico, uma mesa de acampamento. Os talheres ficavam numa caixa de sapatos.

— Estratégia de sobrevivência — disse Pedro, que já tinha passado por três reformas. — Isola uma área da casa que não vai ser reformada. Monta uma cozinha provisória, um banheiro funcional, e vive ali.

Eles isolaram o quarto de hóspedes e o banheiro social. Colocaram plástico nas portas para vedar a poeira. Compraram um micro-ondas, um fogareiro elétrico e uma air fryer para não depender da cozinha.

— A rotina tem que continuar — disse Pedro. — Não para a vida por causa da obra. Marcam jantar fora um dia por semana. Mantêm o quarto limpo. E respiram fundo quando a poeira invade.

Clarinha criou uma lista de restaurantes próximos para os dias de cansaço extremo. Beto comprou um purificador de ar para o quarto. Eles marcaram um final de semana fora no meio da obra para recarregar as energias.

No final da reforma, a cozinha estava linda. Mas a experiência de morar na obra foi tão marcante que Clarinha disse: — Se a gente reformar de novo, aluga uma casa enquanto faz a obra.

Beto concordou.