Beto se considerava um faz-tudo. Tinha furadeira, parafusadeira, serra tico-tico, nível a laser. Já tinha montado estante, trocado tomada, pintado parede. Quando Clarinha sugeriu chamar um marido de aluguel para instalar o suporte da TV, ele se sentiu ofendido.
— Eu faço! — disse Beto, pegando a furadeira.
Três horas depois, o suporte estava torto. A TV pendia 2 graus para a esquerda. Beto suava, xingava, tentava ajustar. Clarinha chamou o marido de aluguel.
O profissional chegou, mediu, nivelou, furou, parafusou. Em 40 minutos, a TV estava na parede, perfeitamente reta, com os cabos organizados em canaleta. Cobrou 120 reais.
— Você viu? — disse Clarinha. — 120 reais, 40 minutos, perfeito.
— Mas eu gastaria só o material — argumentou Beto.
— Você gastou material, tempo, paciência, e quase furou um cano. O profissional tem ferramenta certa, experiência, e garantia. Se der problema, ele volta.
Beto fez as contas: 40 minutos de profissional vs 3 horas dele + material desperdiçado + estresse. O profissional saiu mais barato.
— Mas tem coisas que eu faço melhor — disse Beto.
— Claro — respondeu Clarinha. — Montar móvel, pendurar quadro, trocar lâmpada. Mas obra estrutural, hidráulica, elétrica, ou serviço que exige precisão de nível e prumo, o profissional é mais barato no final.
Beto concordou meio sem graça. Mas aprendeu a diferença entre serviço que ele faz bem e serviço que é melhor delegar.