Beto deixou cair uma panela no chão da cozinha. O azulejo rachou em três partes. Ele olhou para o estrago, depois para Clarinha, e disse: — Vou trocar. Quantos anos de obra? Dois. Quantos azulejos quebrados? Muitos. Quantos trocados por Beto? Zero.
Seu Antônio apareceu no sábado de manhã com uma sacola de ferramentas. Beto abriu a porta com um sorriso amarelo. — Seu Antônio, que surpresa!
— Clarinha me ligou. Disse que tem um azulejo para trocar.
Seu Antônio ensinou o primeiro segredo: marcar um quadrado ao redor do azulejo quebrado com uma serra copo ou furadeira com ponta de widia. Depois, quebrar o miolo com um martelinho. — Nunca tenta arrancar o azulejo inteiro sem furar antes. Você arranca o vizinho junto.
Ele removeu os cacos, raspou a argamassa velha e passou uma camada fina de argamassa nova no contrapiso e no azulejo novo. — Tem que bater com o martelo de borracha para nivelar. E esperar 24 horas antes de rejuntar.
Beto assistiu tudo em silêncio. Em 30 minutos, o azulejo estava no lugar, como se nunca tivesse quebrado.
— E se não tiver o mesmo azulejo? — perguntou Beto.
— Aí você coloca um diferente e faz um desenho criativo. Vira um mosaico. Ou troca todos os azulejos daquela parede.
Beto pagou o serviço achando que tinha aprendido o suficiente. No fundo, sabia que na próxima vez chamaria Seu Antônio de novo.