A chuva forte chegou e a água, em vez de descer pela calha, transbordou por cima, formando uma cortina d'água na frente da casa. O jardim virou uma piscina. A água entrava pela fresta da porta.
— Calha entupida — disse Pedro, olhando para cima. — Folha, galho, sujeira. Fecha a passagem da água.
Ele subiu em uma escada alta e olhou dentro da calha. Estava cheia de folhas secas, musgo e uma camada de terra preta. Uma pequena árvore tinha até brotado ali dentro.
— A calha precisa de manutenção a cada seis meses — explicou Pedro. — Principalmente se tem árvore perto. As folhas caem, acumulam, viram compostagem.
Pedro limpou com as mãos (com luva), depois jogou água com a mangueira para ver se escoava. A água correu livre pelo condutor.
— O condutor também entope — ele disse. — Se a água não sair, a calha transborda. Às vezes a sujeira forma uma rolha no joelho do condutor. Aí tem que desentupir com um arame grosso ou mangueira de alta pressão.
Ele também mostrou a tela de proteção: uma tela fina que colocou sobre a calha para impedir a entrada de folhas grandes. — Isso reduz a manutenção pela metade.
Beto ajudou na limpeza e instalou as telhas de proteção. Na chuva seguinte, a calha funcionou perfeitamente. O jardim não alagou. Beto aprendeu que a calha é como o sistema circulatório da casa — se entope, tudo para.