A chuva começou de noite. Primeiro foi um gotejar ritmado: plic, plic, plic na sala de estar. Beto colocou um balde. Depois outro balde. Depois uma bacia. A água encontrava todos os caminhos.
— Beto, isso não é goteira — disse Clarinha, segurando uma toalha no chão. — Isso é cachoeira.
Beto subiu no telhado no dia seguinte, com o sol raiando. O telhado era de fibrocimento. Ele andou devagar, pisando nas telhas de apoio, e encontrou o problema: uma telha trincada no meio, onde o galho da árvore tinha caído na última tempestade.
Seu Antônio veio ajudar. — Trocar telha quebrada é o mais fácil. Agora, se a goteira for na emenda das telhas, aí é outra história.
Ele mostrou como trocar: levantar a telha de cima da trincada, puxar a trincada para fora, encaixar a nova por baixo da de cima e deslizar para o lugar. Parecia fácil, mas a telha nova não encaixava exatamente — as medidas variavam.
— As telhas têm sobreposição de 10 centímetros na longitudinal — explicou Seu Antônio. — E a inclinação mínima é de 15 graus para telha de fibrocimento. Se for menor que isso, a água entra por capilaridade.
Depois de ajustar, Beto passou silicone nas emendas próximas. A goteira parou. Ele desceu do telhado sujo, com as mãos calejadas, mas aliviado.
— Próxima chuva vamos ficar secos — disse.
Na chuva seguinte, a sala amanheceu seca. Beto comemorou com um café. Mas já estava de olho nas outras telhas — sabia que telhado é como pneu de carro: se um furou, os outros estão perto de furar também.