Clarinha deu a descarga e a água começou a subir. Subiu, subiu, quase transbordou. Ela gritou por Beto, que veio correndo com o desentupidor.
— Sai daqui! — ele disse, empunhando a ferramenta como um herói. — Isso é serviço para profissional.
Beto enfiou o desentupidor no vaso e bombeou com força. Nada. Bombeou de novo. A água balançou, mas não desceu. Ele tentou mais dez vezes, suando, bufando, e o vaso impassível.
— O negócio está entalado — disse Beto, cansado.
Clarinha lembrou do vídeo que viu no Instagram. Ela pediu para Beto sair da frente, pegou o desentupidor e começou a bombear devagar, depois rápido, criando pressão e sucção alternadas. No terceiro movimento, a água gorgolejou e desceu num rodamoinho.
— Como você fez isso? — perguntou Beto, incrédulo.
— Técnica, meu amor. Você só força, eu faço pressão negativa.
Beto ficou impressionado. Clarinha explicou que o segredo é vedar bem a boca do vaso com a borracha do desentupidor e fazer movimentos rítmicos, puxando com força na subida para criar sucção. Não adianta só empurrar.
— E se não resolver? — perguntou Beto.
— Aí chama o bombeiro. Mas enquanto for só papel demais ou um objeto pequeno, o desentupidor resolve.
Clarinha lavou as mãos e saiu do banheiro com a cabeça erguida. Ela havia vencido a batalha do vaso entupido. E Beto aprendeu que força bruta nem sempre ganha.