Clarinha comprou um varão de cortina novo e uma cortina blackout para o quarto. Beto se ofereceu para instalar. — É só parafusar um suporte de cada lado da janela, simples.
Ele mediu a distância, marcou a parede, furou, colocou as buchas. Parafusou o primeiro suporte. Quando foi colocar o segundo, percebeu que estava torto. Olhou de novo. O primeiro suporte estava mais alto que o segundo.
— Você não usou nível? — perguntou Clarinha.
— Nível? Pra quê? Olho é mais rápido.
Não era mais rápido. Beto teve que desparafusar o primeiro suporte, furar de novo, consertar o buraco errado com massa, esperar secar, e refurar no lugar certo. Dessa vez, ele usou o nível a laser que Pedro tinha emprestado.
— O segredo é: mede três vezes, fura uma — disse Pedro, que passou para ajudar.
Com o nível, o segundo furo ficou exatamente na mesma altura. O varão encaixou perfeitamente. A cortina blackout deslizou sem esforço.
— Além do nível, tem que ver o peso da cortina — Pedro continuou. — Cortina blackout é pesada. Precisa de bucha de concreto e parafuso longo, no mínimo 50mm. Se for gesso, usa bucha específica para gesso.
Beto instalou os dois suportes com parafusos de 60mm. A cortina ficou firme, segurando a luz da manhã. Beto aprendeu que nível não é frescura — é o que separa uma instalação profissional de uma gambiarra.