A porta do quarto começou a emperrar. No inverno, fechava normal. No verão, ficava presa no batente, difícil de abrir e fechar. Beto se irritava toda vez que precisava passar.
— A porta está inchando com a umidade — disse Seu Antônio, que veio visitar. — Madeira maciça ou compensado reage à umidade do ar.
Ele ensinou o truque mais simples: passar uma vela na quina da porta onde ela prende. A cera lubrifica e ajuda a deslizar. Mas se o problema for maior, é preciso aplainar a porta.
— Com uma plaina manual ou elétrica, você tira uma lâmina fina na parte que prende. Vai devagar, tira pouco de cada vez, testa, tira mais, testa. Até fechar perfeitamente.
Beto pegou a plaina do avô, passou na quina da porta com cuidado, lixou depois para não deixar farpas. A porta fechou perfeitamente. Sem rangido, sem esforço.
— Mas cuidado — alertou Seu Antônio. — Se a porta prende em cima, o problema pode ser verga da porta ou recalque da parede. Aí não adianta aplainar — tem que ajustar o batente.
Beto também verificou as dobradiças. Apertou os parafusos, que estavam frouxos. Às vezes, o simples aperto de uma dobradiça resolve o problema sem precisar aplainar nada.
A porta do quarto voltou a ser funcional. Beto aprendeu que o barulho de rangido incomoda, mas uma porta emperrada no meio da noite é pior — especialmente quando você está com as mãos cheias.