Beto acordou às 3 da manhã com o som: plic, plic, plic. A torneira da cozinha pingava sem parar. Ele virou para o outro lado, puxou o travesseiro, mas o som atravessava a parede. Clarinha também não dormia.
— Beto, pelo amor de Deus, conserta essa torneira amanhã ou eu enlouqueço.
De manhã, Beto foi até a caixa de ferramentas. Ele já tinha visto vídeos no YouTube. "É só trocar o courinho", pensou. Fechou o registro geral da água, desmontou a torneira e encontrou o famoso "courinho" — um anel de borracha ressecado, igualzinho ao do vídeo.
— Tá vendo, Clarinha? Coisa de cinco minutos.
Só que não eram cinco minutos. O parafuso estava enferrujado. O cano teimava em não soltar. Beto suou, forçou, quase arrancou a pia. Quando finalmente conseguiu, o courinho novo estava no lugar errado. Torce aqui, aperta ali, e a torneira começou a vazar por baixo.
— Pensa que é fácil? — resmungou Beto, enquanto Clarinha olhava de longe com os braços cruzados.
Depois de duas horas, três idas à loja de material de construção e um dedo machucado, a torneira parou de pingar. Beto lavou o rosto na pia, orgulhoso. Não vazava mais. Clarinha deu um beijo nele.
— Finalmente, silêncio.
— E economia — completou Beto. — Uma torneira pingando gasta 46 litros por dia. No fim do mês, é água pra encher uma piscina.
Clarinha revirou os olhos, mas estava feliz. O silêncio voltou à casa.