Qual o jeito certo de usar o carro para ir ao trabalho sem enlouquecer?

Carlos

Por dois anos, o trajeto dele para o trabalho foi de cinquenta minutos na ida e uma hora na volta — no melhor dos dias. Ele saía de casa já tenso, pensando no trânsito que ia enfrentar. Chegava no trabalho esgotado. Voltar era pior. Ele ficava remoendo os problemas do expediente o caminho inteiro. Quando chegava em casa, estava de mau humor, e a Luísa e o Augusto levavam o impacto. Até que a Luísa disse: "Amor, você não está indo para o trabalho. Você está fazendo guerra todo dia."

Ela tinha razão. Ele precisava mudar a relação com o trajeto. Primeiro, começou a sair quinze minutos mais cedo — o trânsito melhorou consideravelmente. Segundo, parou de ouvir notícias no rádio (só o deixavam mais irritado) e passou a ouvir música clássica e audiobooks. Terceiro, transformei o trajeto em momento de transição: na ida, mentalizava o dia de trabalha e o preparava. Na volta, usava o tempo para "desligar" do expediente — ouvia um episódio de série em áudio ou ligava para a Luísa para conversar sobre amenidades. A volta deixou de ser extensão do trabalho e virou preparação para a vida em casa. O resultado foi que chega em casa mais leve, e o trânsito virou momento dele — não mais um inimigo. Carlos aprendeu que o jeito certo de usar o carro para ir ao trabalho não é sofrer o trajeto — é transformá-lo em tempo útil ou de transição. O trânsito vai continuar existindo. O que pode mudar é o que a gente faz com ele. Hoje ele chega em casa mais leve, e o trânsito virou momento dele — não mais um inimigo.