Toda viagem longa começava com a mesma discussão: "Você dirige na ida, eu na volta." "Não, você dirige na ida que é mais fácil, e eu na volta que é cansativa." "Eu dirijo melhor à noite." "Não, você dorme dirigindo." Era um cabo de guerra que só resolvia quando um dos dois cedia com raiva. E aí a pessoa dirigia cansada, estressada, e a viagem perdia a graça. Até que, numa viagem de seis horas para o litoral, o Carlos quase dormiu no volante na volta. Luísa viu o carro começar a fazer zigue-zague na pista. Gritou o nome dele. Ele acordou assustado e corrigiu a direção. Ficaram os dois em silêncio por alguns quilômetros, processando o susto.
Naquele dia, estabeleceram um pacto de segurança. Para viagens acima de três horas, eles dividem o trajeto em blocos de no máximo duas horas cada. A pessoa que não está dirigindo fica acordada, conversando, segurando o celular com a navegação, passando água. Se um dos dois estiver muito cansado, para num posto e troca, mesmo que não tenha completado as duas horas. Não tem isso de "aguenta mais um pouco". Cansaço ao volante não se negocia. E, o mais importante: ninguém dirige se não dormiu bem na noite anterior. Luísa e Carlos estabeleceram um pacto: segurança vem antes de qualquer acordo. Viagem em casal não é competição de resistência — é parceria. Cada um dirige enquanto está bem, e para quando não está. O resto é conversa. Desde então, toda viagem longa tem sido mais tranquila e segura.