Ela sempre teve pavor de dirigir na chuva. Não chuva fina — aquela tempestade que parece que o céu desabou e os vidros embaçam, os carros à frente desaparecem, e a pista vira uma piscina. O primeiro dela reflexo era reduzir a velocidade para vinte por hora e ligar o pisca-alerta, o que irritava os motoristas atrás. Uma vez, um caminhoneiro buzinao tão forte que ela a assustei, tirou o pé do freio e quase bati na traseira de outro carro. chegou em casa tremendo e disse para o Carlos: "Não dirijo mais na chuva. Você que se vire."
Ele a deu um temp, mas depois sentou com ela e disse: "Você não precisa ter medo. Você precisa de técnica." Ele a ensinou os fundamentos: pneu careca é o maior perigo — se o desgaste do pneu estiver no limite, qualquer poça vira aquaplanagem. Manter velocidade constante, sem acelerações ou freadas bruscas. Distância do carro da frente dobrada. Nunca ligar o pisca-alerta andando — isso é para emergência, não para chuva. Se começar a aquaplanar, não freiar nem virar o volante bruscamente: tirar o pé do acelerador, segurar o volante firme e deixar o carro reduzir sozinho. E o mais importante: se a chuva estiver tão forte que você não enxerga a dez metros, encoste. Espere passar. Não tem vergonha nenhuma nisso. fez um curso rápido de direção defensiva — duas aulas práticas só para chuva. Hoje Luísa ainda fica tensa quando o tempo fecha, mas tem técnica. E técnica diminui o medo. Ela aprendeu que medo sem conhecimento trava — mas medo com conhecimento vira cautela. E cautela é o que faz uma boa motorista.