Carlos sempre odiou negociar. Preço é preço, não é? Ingênuo. Na primeira vez que foi comprar um seminovo, entrou na loja, o vendedor olhou para ele e ele já falou: "Qual o menor preço?" O vendedor deu um número, ele aceitou na hora, e saiu achando que tinha feito um bom negócio. No dia seguinte, um amigo foi na mesma loja, negociou o mesmo carro e pagou dois mil reais a menos. Dois mil reais! Por cinco minutos de conversa. Ele ficou tão irritado consigo mesmo que jurou que da próxima vez seria diferente.
E foi. Quando foi comprar o carro atual, chegou preparado. Primeiro, pesquisou o preço Fipe do modelo e ano. Segundo, olhou anúncios em cinco sites diferentes para entender a faixa de preço real do mercado. Terceiro, foi na loja sem pressa — num dia de semana, pela manhã, quando o movimento é menor e o vendedor tem mais tempo. Olhou o carro, fez test drive, e quando o vendedor perguntou se ele queria fechar, ele falou: "Gostei do carro, mas o preço está acima da Fipe e da média dos anúncios que vi. Posso pagar X à vista." O vendedor disse que não dava. Carlos agradeceu educadamente e foi embora. Três dias depois, o vendedor ligou aceitando a oferta dele. Economizou três mil reais. Carlos descobriu que negociar carro seminovo não é ser agressivo — é saber o valor real do bem, estar disposto a ir embora, e ter paciência. Vendedor sente quando o comprador está apaixonado. E paixão na hora de negociar é o maior inimigo do bolso.