O carro do Carlos superaquecia direto. Principalmente no verão, no trânsito pesado. Luísa odiava dirigir ele porque sabia que, a qualquer momento, a agulha da temperatura ia subir e ela ia ficar parada no meio do trânsito com a fumaça saindo do capô. O primeiro instinto dela era entrar em pânico — desligar o carro no meio da via, abrir o capô com o motor quente, jogar água fria no radiador (coisa que pode trincar o bloco do motor). O Carlos a ensinou do jeito certo, depois de ele mesmo já ter errado feio uma vez.
Quando a temperatura sobe, o certo é: ligar o ar quente no máximo (isso puxa o calor do motor para dentro do carro), tentar andar em velocidade constante sem parar, e se o trânsito estiver travado, desligar o carro. Se a agulha entrar no vermelho, parar imediatamente em local seguro, desligar o motor, e esperar esfriar por pelo menos 20 minutos antes de abrir o capô. Nunca, jamais, abrir o radiador com o motor quente — o vapor pode causar queimaduras graves. Depois de frio, verificar o nível da água e completar se necessário. E, principal: depois disso, levar no mecânico para descobrir a causa raiz (pode ser válvula termostática, ventoinha, bomba d'água ou radiador entupido). Luísa aprendeu na prática que lidar com superaquecimento não é resolver na hora — é saber parar, esperar, e depois consertar de verdade. Carro quente é que nem gente estressada: precisa de pausa antes de voltar a funcionar direito.