Qual o jeito certo de manter a calma quando dirige com criança chorando no banco de trás?

Carlos

Se tem uma coisa que tira Carlos do sério enquanto dirige é ouvir o Augusto chorando no banco de trás e não poder fazer nada. Ele está no volante, de olho na estrada, não pode virar, não pode pegar no colo, não pode resolver. A sensação de impotência é enorme. Nas primeiras vezes, ele tentava resolver na base da ordem: "Augusto, para de chorar!" Óbvio que não funcionava. O menino chorava mais. Ele se irritava mais. A Luísa, do lado, tentava apaziguar, mas ele já estava nervoso e acabava transferindo a irritação para ela. A viagem virava um inferno para todo mundo.

Até que uma terapeuta infantil deu um toque: "Seu filho não está chorando para te irritar. Ele está comunicando uma necessidade. E sua raiva é porque você não consegue atender." Carlos mudou a chave. Quando o Augusto começa a chorar agora, ele respira fundo e aceita que não pode fazer nada enquanto dirige. Pede para a Luísa cantar uma música, coloca uma música calma, e mantém a velocidade. Se for seguro, para num posto para ver o que ele precisa. Se não for seguro, segue até o próximo local de parada. Não grita. Não se desespera. Só aceita que bebê chora, e que o papel dele é manter a segurança e não o silêncio. Ele aprendeu que lidar com choro no carro não é fazer a criança parar de chorar — é manter a calma de quem dirige. Criança chorando não é emergência. É desconforto. E desconforto passa. Se ele perder a calma, aí sim vira perigo.