Quando o mecânico solta a frase "você vai sentar para ouvir o orçamento", Carlos já sabe que vem bomba. Uma vez, ele levou o carro para trocar a correia dentada, e o cara disse: "Olha, o motor está fazendo um barulho diferente. Acho melhor a gente abrir o motor para ver." Na hora, ele congelou. Abrir o motor significava horas de mão de obra, peças caras, e ele não sabia se era real ou se o mecânico estava inventando serviço. A reação dele foi dizer "deixa para outra hora" e sair de lá rapidamente. Passou mais três meses com aquele barulho na cabeça, morrendo de medo de o motor fundir.
Uma hora não aguentou mais e levou o carro numa segunda oficina, indicada por um amigo motorista de aplicativo. O mecânico lá ouviu o motor, fez um teste, e disse: "Não precisa abrir. É o tensor da correia que está desgastado. Troca o tensor e a correia e pronto." O orçamento foi um terço do que o primeiro tinha falado. E resolveu. Saiu de lá com uma lição: nunca aceite o primeiro orçamento como verdade absoluta. Hoje, quando o mecânico fala algo caro, ele pede o diagnóstico por escrito, com detalhamento de peças e serviços. Depois, pesquisa em outras duas oficinas. Compara os diagnósticos. Se dois profissionais diferentes apontarem o mesmo problema, é provável que seja verdade. Se houver discrepância, pede uma terceira opinião. Também aprendeu a perguntar: "Qual a garantia do serviço?" e "Pode me mostrar a peça com defeito depois de retirada?" Carlos descobriu que lidar com orçamento salgado não é confiar cegamente nem desconfiar de todo mundo — é criar um processo de verificação. Mecânico sério não se ofende com segunda opinião. Quem se ofende é quem está querendo levar vantagem.