Clarinha ia para a casa da mãe quando sentiu o volante puxar para o lado. Um estalo seco e o barulho de borracha batendo no asfalto. Ela tinha acabado de furar o pneu dianteiro direito. O coração disparou.
Ela reduziu a velocidade com cuidado, ligou o pisca-alerta e encostou no acostamento, bem longe da pista. Respirou fundo e abriu o porta-malas para pegar o estepe, o macaco e a chave de roda.
— O Beto me ensinou isso, eu consigo — ela murmurou.
Ela encaixou o macaco no ponto certo, ergueu o carro, soltou os parafusos com a chave de roda, trocou o pneu e apertou tudo de volta. Levou vinte minutos e sujou a blusa nova, mas conseguiu.
Quando Beto atendeu o telefone, ela já estava de volta ao volante. — Nem precisou, amor. Já resolvi. Ele ficou orgulhoso. Clarinha descobriu que sabia mais do que imaginava.