Eles estavam indo para a serra, fim de semana prolongado, o carro carregado com mala, cooler, brinquedo do Augusto. Tudo indo bem até que, a quarenta quilômetros do destino, o motor começou a perder potência. Carlos pisou no acelerador e o carro não respondia. A luz de injeção acendeu no painel. O coração dele gelou. Estavam numa estrada sinuosa, de noite, sem acostamento largo. Conseguiu encostar num recuo. Luísa segurou o Augusto no colo, os dois assustados. Ele tentou ligar o carro de novo — nada. Só um clique seco. Bateria? Motor fundido? Não fazia ideia. O pânico começou a subir. Ele começou a falar sozinho: "Que merda, que merda, que merda." Luísa colocou a mão no braço dele: "Calma. Vamos resolver. A gente tem assistência."
Ela tinha razão. Ele tinha esquecido completamente que eles tinham contratado um seguro com guincho nacional. Ligou para a central, informou a localização, e em quarenta minutos chegou o guincho. Enquanto esperavam, ele e Luísa sentaram na grama do acostamento. O Augusto dormiu no colo dela. Ele respirou fundo e percebeu: não era o fim do mundo. O carro foi rebocado até uma oficina na cidade mais próxima. Passaram a noite numa pousada simples. No dia seguinte, o mecânico trocou a bomba de combustível e seguiram viagem. Perderam um dia, mas aproveitaram o restante do fim de semana. Carlos aprendeu que lidar com carro quebrado em viagem não é ter um carro que nunca quebra — é ter um plano B. Assistência 24 horas, dinheiro reserva para emergência, e disposição para aceitar que imprevistos acontecem. Viagem é sobre o destino, mas também sobre como a gente lida com o inesperado no caminho.