Quando o filho da vizinha completou dezoito anos, o pai dele pediu para Carlos dar umas aulas de direção. Ele aceitou na hora, achando que seria simples — ensinar o básico e pronto. No primeiro encontro, colocou o garoto no banco do motorista do carro dele e falou: "Vai com calma, solta a embreagem devagar." O garoto soltou tão rápido que o carro deu um tranco e morreu. Carlos falou: "Calma, rapaz!" Ele tentou de novo, morreu de novo. Na terceira vez, Carlos já estava irritado. Soltou um "Pô, é simples, olha aqui" e fez a manobra para ele ver. Mas o garoto ficou mais nervoso. A aula foi um fracasso. Ele não conseguiu sair da primeira marcha, e Carlos saiu do carro mais estressado do que entrou.
Uma semana depois, um amigo professor de autoescola deu um toque: "Carlos, você está ensinando como se o garoto já soubesse dirigir. Você precisa ensinar como se ele nunca tivesse sentado num banco de motorista." Ele voltou com outra abordagem. No primeiro encontro, fez o garoto apenas sentar, ajustar banco e retrovisores, segurar o volante na posição certa, e ligar e desligar o carro várias vezes até decorar a sequência. Só na segunda aula ele pisou no acelerador. Carlos foi dividindo em etapas: partida e parada, troca de marcha parado, percurso reto, conversão, baliza. Cada etapa só avançava quando a anterior estava segura. E, o mais importante, ele parou de levantar a voz. Quando o garoto errava, Carlos pedia para tentar de novo com calma. Em seis aulas, o garoto estava dirigindo no trânsito. Carlos aprendeu que ensinar alguém a dirigir exige método, não só paciência. É lembrar que todo mundo começa do zero, e que nervosismo não ensina ninguém — ensina medo.