Pedro, irmão de Clarinha, tinha 18 anos e queria aprender a dirigir. O carro disponível era o manual do Beto. Beto topou ensinar, mas já avisou: — Se queimar a embreagem, você paga.
A primeira aula foi num estacionamento vazio de supermercado no domingo. Pedro sentou, ajustou o banco e o espelho, e Beto explicou: pé esquerdo na embreagem, pé direito no freio. Gira a chave.
— Agora solta a embreagem devagar até sentir o carro vibrar. Isso é o ponto da embreagem.
Pedro soltou rápido demais e o carro morreu. Tentou de novo. Morreu de novo. Na terceira, conseguiu sair, mas aos trancos. O carro parecia um cavalo arisco.
Depois de uma hora, Pedro já conseguia trocar de marcha sem morrer. Na semana seguinte, já encarava o trânsito do bairro.
— O segredo é sensibilidade no pé esquerdo — disse Beto no fim. — A embreagem não é interruptor, é dimmer. Solta suave, acelera suave.
Pedro agradeceu e jurou que um dia teria um automático para não passar mais nervoso.