Beto finalmente comprou o carro novo. Era zero, cheirinho de novo, painel brilhando. Ele ficou minutos sentado dentro, só admirando. Mas na hora de sair da concessionária, o nervosismo bateu.
— E se eu bater? Se arranhar? Se o motor morrer no meio do caminho?
Clarinha foi na carona. — Calma, Beto. Só dirige normal. O carro não é de vidro.
Ele passou os primeiros dias aprendendo o tamanho do carro novo. Estacionou de ré várias vezes até pegar a medida. Leu o manual do proprietário de cabo a rabo, coisa que nunca tinha feito.
Duas lições que aprendeu: na primeira semana, evitar estacionar em vaga apertada entre outros carros. E fazer o "amaciamento" do motor: nos primeiros 1.000 km, não passar de 4.000 rpm, evitar acelerações bruscas e estrada com velocidade constante.
— Cada carro tem sua personalidade — disse Beto, depois de uma semana. — Você precisa se entender com ele.
Clarinha percebeu que Beto estava mais cuidadoso, mais paciente. O carro novo tinha trazido não só status, mas responsabilidade.