Ela estava morrendo de frio no banco de trás de um Uber. O ar congelando, ela de blusa fina. Falou "desliga esse ar aí" num tom meio grosso. O motorista desligou na hora, mas ficou emburrado o resto da viagem inteira. O erro foi pedir como ordem, sem considerar que talvez ele também estivesse com calor. Agora, quando quer desligar o ar, pergunta: "o senhor se importa se desligar o ar-condicionado? É que estou com um pouco de frio." Se ele disser que está com calor, pede um meio termo: "será que dá pra baixar a potência ou dirigir com o vidro aberto?" Respeito é recíproco. Se mesmo assim ele mantiver o ar, ela aceita — o carro é dele. E leva um casaco na bolsa pra essas situações. Aprendeu que o carro do motorista é o ambiente de trabalho dele. O conforto térmico que funciona pra ele pode ser diferente do dela. Negociação, não imposição.