Luísa tomou uma multa gravíssima por dirigir falando no celular — ou melhor, o guarda disse que ela estava, mas ela estava no semáforo, parada, e o celular estava no banco do passageiro. Sete pontos na carteira. Ficou desesperada, pegou o telefone e ligou pro primeiro advogado que achou no Google, já chorando e falando um monte de coisa sem sentido. O advogado a ouviu, pediu quinhentos reais de entrada e disse que "ia dar um jeito". Nunca mais ela ouviu falar dele. Perdeu o dinheiro e a chance de recorrer no prazo certo.
Hoje, quando precisa de advogado pra multa de trânsito, liga preparada. Primeiro, separa todos os documentos: notificação da multa, foto se tiver, comprovante de endereço, dados do veículo. Depois, liga e pergunta: "Você trabalha com defesa de multas de trânsito? Qual sua taxa de sucesso com esse tipo de infração? Qual o valor do serviço e em quanto tempo dá retorno?" Pergunta também se ele vai apresentar defesa prévia ou se já prepara recurso em segunda instância. Advogado bom explica o processo sem enrolação, fala prazos reais, e não promete resultado. Se promete que "vai anular com certeza", é furada. O jeito certo é tratar a multa gravíssima como o que ela é — um processo administrativo que tem caminhos definidos, não um bicho de sete cabeças que se resolve com advogado misterioso.