Quando foi comprar o carro atual dela, o vendedor disse "pode dar uma volta no quarteirão, vai fundo". Ela deu. O carro parecia macio, silencioso, perfeito. Comprou. Na primeira viagem, a 110 por hora, o volante começou a tremer e o carro puxava pra direita. O balanceamento estava todo errado, um pneu tinha calombo, e a suspensão dianteira estava solta. Coisas que não aparecem numa volta de quarteirão a 40 km/h. O vendedor sabia disso.
Hoje, quando pede pra testar o carro, já negocia o percurso antes. "Posso dar uma volta que inclua um trecho de estrada ou via rápida? Uns 10, 15 minutos?" Se o vendedor diz "não precisa, o carro tá bom", ela já fica alerta. Se ele topa, ótimo. Na estrada, ela testa: aceleração de 80 a 120 (vê se o motor responde), freio em velocidade alta (vê se treme ou puxa), volante solto (vê se o carro mantém a trajetória), barulhos de suspensão (vê se ouve estalos ou rangidos). E o mais importante: liga o ar condicionado no máximo e vê se o carro perde potência. Também desliga o som e presta atenção nos ruídos do motor, da transmissão, dos rolamentos. Uma volta em estrada conta mais que mil voltas no quarteirão. O vendedor que não deixa pegar estrada é vendedor escondendo defeito.