Comprou um carro que parecia um achado. Ano baixo, preço bom, visual limpo. Uma semana depois, a luz do painel começou a piscar que nem árvore de Natal. O ar condicionado parou de funcionar. O vidro elétrico do motorista desistiu no meio do caminho. Levou no eletricista, que passou dois dias caçando fio emendado, chicote derretido, fusível trocado por moeda — sim, moeda. O dono anterior tinha feito tanta gambiarra elétrica que o carro era um risco de incêndio sobre rodas. O conserto saiu mais caro que o próprio carro.
Aprendeu que problema elétrico é silencioso até você comprar. Hoje, pergunta de um jeito que convida à honestidade: "O senhor já teve algum problema elétrico com ele? Alguma luz que acendeu, algum componente que parou de funcionar?" Mas não confia só na resposta. Faz um teste básico na hora: liga o ar, os vidros, os faróis, a seta, o limpador, o desembaçador, a buzina. Tudo ao mesmo tempo. Se o motor engasga, a luz do painel oscila, ou o rádio desliga, tem sobrecarga elétrica. Carro com problema elétrico geralmente dá sinais — bateria nova demais (trocaram pra esconder), cheiro de queimado perto dos fusíveis, emendas nos fios com fita isolante. E se vê um fusível de 30 ampères onde deveria ser 15, já sabe que tão forçando a barra. Não compra sem passar num eletricista de confiança antes.