Na primeira vez que ele foi comprar um carro usado, olhou os pneus e achou que estavam bons. Tinham desenho, não estavam carecas, pronto. Comprou. No primeiro dia de chuva, o carro parecia um patinete no gelo — derrapava em qualquer curva. Foi ver direito: os pneus eram de marcas desconhecidas, com data de fabricação de seis anos atrás, e um tinha até um talão remendado. O vendedor tinha trocado os pneus bons por uns velhos antes de vender. Ele não sabia nem que isso existia.
Hoje, quando vai ver um carro, examina os pneus com olho de interessado. Olha a data de fabricação, que vem gravada na borracha: quatro números dentro de um oval. Os dois primeiros são a semana, os dois últimos o ano. Se é anterior a 2020, o pneu já passou da validade ideal, mesmo que o desenho pareça bom. Verifica se os quatro são da mesma marca, se estão desgastados por igual, se o estepe combina. E pergunta direto: "Esses pneus são originais do carro? Já foram trocados algum? Tem nota fiscal?" Se o vendedor diz "originais" mas eles são de marca diferente da que veio de fábrica, já sabe que trocaram em algum momento. Pneu bom é caro, e é um dos itens que mais faz diferença na segurança. Se os pneus estão ruins, negocia um desconto equivalente ao valor de quatro pneus novos — e leva o carro direto pra borracharia.