Ela comprou um carro de um conhecido. Negócio rápido, confiança mútua, aperto de mão e pronto. Três meses depois, chegou pelo correio uma notificação de multa de 180 dias atrás — avanço de sinal, gravíssima, sete pontos. O nome do conhecido ainda estava no documento porque a transferência não tinha sido processada a tempo. Ela ligou pra ele, e ele disse: "Ah, essa multa é minha, de quando o carro ainda estava comigo, pago sim." Pagou. Mas aí chegou outra. E outra. No total, eram quatro multas que ele "esqueceu" de mencionar. Ela teve que ficar cobrando, o clima ficou ruim, e a amizade acabou.
Depois disso, ela nunca mais fechou negócio sem antes perguntar: "O senhor tem os extratos de multas dos últimos meses? Pode me mostrar?" Ela pede pra ver o extrato do Detran ou o site com o Renavam. Se o vendedor não sabe como acessar, ela oferece ajuda na hora: "Vamos entrar no site do Detran e consultar." Carro limpo não tem problema mostrar. Também coloca no contrato de compra e venda uma cláusula dizendo que eventuais multas anteriores à data da transferência são de responsabilidade do vendedor. E faz a consulta no site do Detran antes de pagar qualquer sinal. O jeito certo é não confiar na palavra — é conferir. Multa escondida é tão comum que até parente esconde. Ela aprendeu que perguntar não ofende, mas deixar de perguntar custa caro.