Meu cunhado comprou um carro semi-novo que parecia perfeito. Poucos anos de uso, preço bom, fotos lindas. Depois de um mês, o volante começou a tremer, a embreagem estava dura que nem pedal de academia, e o banco do motorista tinha uma marca de desgaste que não combinava com a quilometragem. Levou no mecânico, que deu o veredito: aquilo ali tinha sido carro de aplicativo. A quilometragem real era o dobro da mostrada, e o desgaste era de quem passou o dia inteiro no trânsito. Ele ficou com um carro problemático e uma dívida que não esperava.
Aprendi com o erro dele. Quando vou ver um carro, não pergunto na cara dura "foi de aplicativo?" porque ninguém vai responder que sim. Em vez disso, olho os detalhes que denunciam: o desgaste do volante, o lado esquerdo do banco do motorista mais gasto, o pedal da embreagem com borracha nova (sinal de que trocaram recentemente), marcas de suporte de celular no painel, entrada USB surrada. Pergunto sobre o histórico de uso de um jeito indireto: "O senhor usava o carro mais pra trabalho ou lazer?" "Fazia muitas viagens longas?" "Rodava quanto por mês?" A forma como a pessoa responde já entrega muito. Se hesita, se desvia, se diz que "rodava bastante na cidade", já acendo um alerta. E deixo claro que, se for de aplicativo, não tem problema algum — contanto que o preço reflita isso. Transparência é o que resolve.