A primeira vez que pediu nota fiscal de um serviço no carro, fez do pior jeito possível. Chegou no mecânico depois de gastar uma nota com o reparo do radiador e falou: "Oi, você pode me dar a nota?" O cara olhou meio torto, disse que ia "ver" e sumiu por uns dez minutos. Voltou com um papel amassado, escrito à mão, que parecia um bilhete de supermercado. Aceitou. Sempre aceitava, porque não queria parecer desconfiado, porque achava que era exagero, porque na hora a gente só quer sair dali com o carro pronto. O problema é que, sem nota, você não tem garantia do serviço, não tem como comprovar gasto se for vender o carro, e se der problema depois, a palavra do mecânico vale contra a sua — e ele nunca lembra de você.
Hoje aprendeu que pedir nota fiscal é sobre se proteger, não sobre desconfiar do profissional. Chega já na hora do orçamento e pergunta: "Você emite nota fiscal dos serviços? Preciso para o meu controle." Se a resposta for "sim", perfeito. Se for "não, mas posso fazer um recibo", ele pergunta por que. Mecânico de confiança tem nota, sim. Se for "só no dinheiro e sem nota", aí ele já fica de alerta. Na hora de buscar o carro, pede a nota antes de pagar, confere se os serviços descritos batem com o que foi combinado, e guarda tudo numa pasta. Parece besteira até você precisar acionar a garantia de um serviço que deu problema três meses depois — e a nota estar lá, no seu e-mail, salva.