Clarinha dirigia um hatch automático compacto. Beto tinha um sedã manual mais antigo. Cada vez que um precisava do carro do outro, era um drama.
— Como você consegue dirigir essa nave? A embreagem dura que nem uma perna de ferro — reclamava Clarinha.
— Seu carro parece um kart de tão fraquinho. E não tenho paciência pra câmbio automático, parece que o carro pensa por mim — respondia Beto.
A briga chegou ao auge quando precisaram viajar e o carro de Beto estava na oficina. Clarinha ofereceu o dela, mas Beto se recusou: — Não sei dirigir automático, vou passar vergonha.
Clarinha deu uma aula rápida de 5 minutos: pé esquerdo descansa, só pé direito no freio e acelerador. Beto dirigiu 10 km e se apaixonou. — É tão macio... parece videogame!
No fim, Beto admitiu que o automático era mais confortável no trânsito, e Clarinha reconheceu que o manual dava mais controle na estrada. Cada um ficou com seu carro, mas passaram a respeitar a escolha do outro.