Beto tinha levado um golpe de outro mecânico. Pagou 800 reais por um "reparo no motor" que na verdade foi só uma limpeza de bico. O carro continuava falhando. Ele estava desconfiado de todos.
Foi na oficina de Seu Antônio por indicação de Carlos. Chegou desconfiado, de braços cruzados. Seu Antônio percebeu. — O que houve, mancebo? Já chega com cara de briga?
Beto contou a história. Seu Antônio ouviu sem interromper, depois abriu o capô e pediu: — Vem aqui ver comigo.
Ele mostrou cada peça que ia verificar, explicou o diagnóstico antes de fazer qualquer serviço, deu o orçamento por escrito e disse que Beto podia ficar na oficina acompanhando. Beto ficou surpreso.
— Mecânico de confiança não tem medo de cliente no elevador — disse Seu Antônio.
O reparo foi 350 reais, metade do que o outro cobrou, e o carro ficou novo. Beto virou freguês fiel. Entendeu que confiança se constrói com transparência, e que pagar mais caro não é garantia de serviço honesto.