Numa corrida noturna, o carro parecia meio judiado. O cinto de segurança não retraía direito e a maçaneta da porta parecia que ia soltar. Ela ficou com medo mas não falou nada — só ficou apertando o cinto com a mão a viagem inteira. Chegou em casa estressada. A irmã dela, que é mais corajosa, disse para ela: "Você tem que falar, ué. O motorista pode não saber que o cinto está ruim." Ela tentou na corrida seguinte, quando entrou num carro com o pneu meio murcho. Dessa vez falou: "Moço, reparei que o pneu traseiro parece meio baixo. O senhor já viu? Pergunto porque já viajei com pneu assim e é perigoso, ainda mais em estrada." O motorista agradeceu. Parou no primeiro posto, calibrou e ainda deu um desconto na corrida porque disse que ela tinha evitado um problema. Ela ficou surpresa. Aprendeu que segurança no carro não é questão de educação — é questão de vida. A forma certa é falar com preocupação genuína, não com reclamação. "Reparei que o cinto não tá retraindo, será que precisa de manutenção?" funciona. "Esse cinto é uma porcaria" não funciona. O motorista se sente cuidado, não acusado. E muitas vezes ele realmente não tinha percebido.