Ela sempre pegava Uber e ficava curiosa: será que o motorista é dono do carro ou alugado? Mas tinha medo de parecer intrometida. Certo dia, entrou num carro novinho em folha e perguntou: "Esse carro é seu?" O motorista deu uma risada seca e respondeu: "É do banco, ué." Ficou um clima estranho pelo resto da viagem. Percebeu que tinha soado como uma acusação, tipo "você não tem condição de ter um carro desse". Depois desse vexame, mudou a abordagem. Numa outra corrida com um motorista super gente boa, perguntou de outro jeito: "Nossa, que carro confortável. Você está gostando de trabalhar com ele? Ele é seu ou a plataforma ajuda com aluguel?" O motorista adorou a pergunta. Explicou que era alugado por diária, contou as vantagens e desvantagens, e a viagem inteira virou uma conversa agradável. Aprendeu que o segredo não é a pergunta em si, mas como você embrulha. Perguntar "é seu?" parece fiscal. Perguntar "como você faz pra ter o carro?" parece interesse genuíno. As pessoas gostam de contar como funcionam as coisas. O erro foi fazer pergunta de resposta fechada. O acerto foi transformar em conversa.