Carlos nunca tinha entrado num carro como motorista na vida. Queria experimentar antes de gastar dinheiro. Ligou na autoescola e perguntou: "Tem aula grátis?" A moça respondeu "não" e desligou. Ele ficou com vergonha de ligar de novo. Acabou se matriculando em outra autoescola sem experimentar, pagou caro e odiou a primeira aula — o instrutor era estressado, o carro era velho e ele se sentiu preso num contrato. Só meses depois, um amigo contou que a primeira autoescola que ele ligou oferecia sim aula demonstrativa gratuita, mas o nome não era "aula grátis" — era "aula experimental de vinte minutos". Quando ele perguntou de um jeito errado, a atendente nem entendeu. Ele aprendeu a perguntar certo: "Vocês têm algum programa de aula demonstrativa ou experimental gratuita? Pode ser curta, só pra eu conhecer o método do instrutor e o carro? Tem compromisso de matrícula depois ou é sem vínculo?" Aí sim, as autoescolas sérias ofereciam. Na autoescola onde ele se formou, fez uma aula experimental de trinta minutos, gostou do instrutor e fechou o pacote tranquilo. O erro foi usar a palavra "grátis" como se fosse esmola. O acerto foi usar "experimental" como processo seletivo — dele e deles.