Sexta à noite, ela pronta pra sair, Carlos disse: \"Vou dar carona pro João.\" \"Onde ele tá?\" \"Descendo.\" João apareceu com mais dois amigos. Três pessoas no banco de trás, ela no carona, Carlos feliz da vida. Ela, quieta, mas fervendo por dentro. Não era a primeira vez. Ele sempre dava carona sem consultá-la.
Ela tentou conversar. \"Carlos, você precisa me avisar antes.\" \"É só carona.\" \"Não é 'só'. É o meu espaço, meu carro, meu tempo. Eu não gosto de surpresa.\" Ele achava exagero. Até que um dia, ele disse \"vou dar carona pro primo\" e o primo apareceu com duas caixas de mudança. O carro ficou entulhado, ela chegou em casa tarde, perdeu seu horário de estudo.
Aí ele entendeu. Ela pediu: \"Me avisa com antecedência. E pergunta se eu topo.\" Ele passou a fazer isso. Ela, do seu lado, passou a dizer sim na maioria das vezes. Não era sobre não querer ajudar — era sobre respeito ao seu tempo. Antecedência transforma imposição em gentileza.