Carlos tem carro, mas vive sem ele. "Vou de carona com você." "Mas você tem carro." "É mais gostoso ir junto." No começo, Luísa achava romântico. Depois, percebeu que ele nunca abastecia, nunca dirigia, e ela sempre assumia o volante. Ela virou o transporte oficial do casal sem ter assinado nada.
Um dia, ela precisou fazer um trajeto a trabalho e ele disse: "Vou com você." "Carlos, é uma reunião de trabalho." "Espero numa cafeteria." Ela perdeu a paciência. "Você não pode ficar sem mim um dia?" Ele ficou magoado. Mas ela precisava de espaço.
Ela sentou pra conversar. "Carlos, eu gosto de estar com você. Mas eu também gosto de dirigir sozinha. De ouvir minha música no meu volume, de pensar, de ter meu momento." Ele entendeu. Combinaram: dois dias por semana, ele vai de carro próprio. Nos outros, os dois vão juntos. Não é sobre não querer a companhia — é sobre preservar a individualidade. Casamento não é simbiose.