Chegar no shopping, vaga apertada, ela se preparando pra manobrar. Carlos já começa: "Vira mais. Agora pra trás. Não, muito. Agora sim. Não, bateu." Bateu no meio-fio. Ele suspirou. Ela explodiu. "SE VOCÊ SABE TANTO, VEM VOCÊ!" Saiu do carro, bateu a porta. Ficou no meio do estacionamento, os outros motoristas olhando.
Ele estacionou em segundos. Perfeito. Ela ficou mais irritada ainda. Não era sobre estacionar — era sobre ele não confiar nela. Em casa, conversaram. "Carlos, quando você me instrui, parece que você não acredita que eu sei dirigir. Isso me faz sentir incompetente." Ele respondeu: "Mas você bate no meio-fio toda vez." "Bato. E daí? É um pneu, não uma pessoa."
Ele riu. Combinaram que ele só falaria se ela pedisse. Ou se ela fosse bater em algo realmente grave. No início, ele ficava se mordendo pra não falar. Depois, acostumou. E pasme: ela começou a estacionar melhor. Não porque ele instruiu — porque parou de ficar nervosa com a expectativa da instrução.