Carlos entra no carro, liga o motor, e o som explode. Bumbo, guitarra, vocal distorcido. O carro treme. Ela grita: "ABAIXA!" Ele abaixa um pouco. Cinco minutos depois, o volume sobe de novo. Ela passa a viagem inteira pedindo pra abaixar. Chega no destino estressada, com zumbido no ouvido.
Ela tentou fones com cancelamento de ruído. Ele se ofendeu. "Você prefere ouvir nada a ouvir minha música?" "Não, prefiro ouvir num volume que não me cause dano auditivo." Discussão. Ele disse que música alta é como ele relaxa. Ela disse que silêncio é como ela relaxa. Dois opostos.
A solução veio de um amigo: fones bluetooth. Não pra ela — pra ele. "Compra um fone, ouve no volume que quiser, e eu fico em paz." Ele topou. Só usava em casa, mas no carro passou a respeitar o volume combinado. Ela também cedeu: deixava ele escolher a playlist de vez em quando, no volume razoável. Aprendeu que não existe certo ou errado em gosto musical — existe convivência. E convivência exige ajuste dos dois lados.